Marketing Verde, o suicídio das correntes ambientalistas


Dando continuidade na temática discutida na postagem anterior, relativa a forma que a mídia se apropria de idéias alternativas e as transforma em mercadorias ou estratégias de comércio. O marketing verde é algo extremamente presente atualmente no dia-a-dia do brasileiro de diversas formas, apresentado pelos meios de comunicação em massa, está presente em diversos setores do comércio.
Apesar de idéias ambientalistas estarem ligadas a logotipos de marcas de diversos tipo, isto para mim, levando em conta meu bom senso extremamente excêntrico e aguçado, passava na minha mente como algo banal, estúpido e sem potencial de me sensibilizar, tal como outras estratégias de marketing existentes.
Porém algo me chamou atenção alguns dias atrás. Ao realizar um trabalho de educação ambiental com garotos e garotas que cursam o 1º ano do ensino médio, nessa faixa etária, vulgos pré-adolescentes, ao tratar do tema "consumo sustentável", que pra mim é o "ó do borogodó" de se discutir isso com pessoas. Percebi por parte dos alunos como o marketing ambiental tem sido extremamente efetivo, e o pior, cada vez mais tem banalizado o que vários ambientalistas pelo mundo tem idealizado. Os alunos simplesmente idealizavam as marcas apresentadas como sustentáveis, de forma a verem estas como os heróis da situação, e que era justificado o consumo se a marca tivesse um slogan ambiental convincente, dessa forma a consciência já estava limpa, poderia-se comprar à vontade...

Chocante não?
Fonte: Página dos Malvados



Bom, vamos fazer um histórico dessas idéias ambientalistas:

Apesar dos desastres ambientais já serem extremamente comuns ao decorrer de todo século XX, termos ambientais como poluição, degradação e etc, só irão aparecer formalmente na conferência de Estocolmo em 1972, e finalmente se popularizariam na conferência do Rio de Janeiro em 1992. A conferência do Rio foi um grande avanço nas discussões das questões ambientais, tanto pela sensibilização das pessoas que danos ambientais realmente existem,e pela desmistificação de que desastres ambientais ocorriam simplesmente porque deus quis (assim como era comum em países conservadores de políticas direcionadas pela religão e a igreja, como o Brasil).
Dessa forma , forma a ideologia ambiental(assim como a idéia de desenvolvimento sustentável, consumo consciente e etc) realmente começou a ser idealizada pelo mundo todo, porém esbarrava em um conflito de interesses extremamente delicado. Os ideais ambientalista iam de várias formas contra os ideais de produção e consumo, estabelecidos pelo tão padrão sistema capitalista.
É só pensar como seria idealizar consumo consciente, uma das propostas do desenvolvimento sustentável, em um sistema em que se baseava no consumo excessivo? As últimas décadas do século XX e os tempos atuais, simbolizaram a "era dos descartáveis", que representa um dos maiores avanços do comércio, de forma que hoje em dia, praticamente tudo pode ser produzido e empacotado em uma embalagem para ser comercializado e consumido em qualquer situação. É claro que todo esse avanço tem um custo, que no caso seriam os resíduos gerados por isso, tornando o plástico um dos maiores problemas ambientais do século XXI.


Enfim...

O marketing verde ou qualquer outro termo referente a isto, se define na utilização de iniciativas ambientais de alguma forma para se promover uma determinada marca ou objeto de consumo, pode ser utilizado tanto em um comercial como em um programa ambiental descrito em um rótulo ou propaganda.

Fonte: Página dos Malvados

Não é necessário ir longe para se citar exemplos, correndo o risco de ser esquartejado, triturado e jogado no rio, citarei algumas destas "ambientalmente corretas" empresas (lembrando que praticamente todas as empresas citadas tem áreas enormes em suas páginas na Internet, intituladas "sustentabilidade", nas quais expressam bem detalhadamente seu amor pela natureza):

- VALE s.a. (antigamente conhecida como vale do rio doce): sem dúvida a maior empresa de extração mineral do Brasil, e uma grande multi-nacional. Possui diversos programas sociais no país, incluindo apoio a cultura e programas de educação ambiental. Porém é tão somente uma das maiores devastadoras de áreas naturais no brasil, as áreas utilizadas pela VALE, tanto no estado de MG quanto do PA, são exemplos bizarros de danos ambientais totalmente irreparáveis. Caso um dia a VALE vá a falência, tenho certeza que nunca a esqueceremos, pelas marcas deixadas no território brasileiro.

- SOUZA CRUZ: empresa de cigarros, a qual financia vários programas de educação ambiental, promove o comercial de que toda sua produção é 100% sustentável, além de divulgar seu parque ambiental. Não precisa-se comentar muito sobre esta, a qual é uma empresa que se baseia no vício do consumidor e comercializa uma das drogas mais viciantes do mundo. Eu garanto que a fumaça produzida pelos cigarros tanto pro fumante traz grandes transtornos para os habitantes da terra.

- PETROBRÁS: empresa a qual é responsável pela produção e comércio dos produtos que têm causado os maiores danos ambientais da atualidade, derivados do petróleo, como combustíveis, plástico, borrachas para diversas finalidades, solventes entre outros. Além de ser responsável pelos maiores desastres ambientais que já ocorreram no Brasil, esta empresa expressa que seu lema é sustentabilidade. Pelo meu ver é a empresa que possui o maior número de projetos ambientais que eu já vi, muito provavelmente justificado pela enorme renda anual desta empresa, a qual tem a maior renda do Brasil.




Concluindo...

A idéia desta postagem foi apresentar o que se define por Marketing Verde e o que tem por tráz dele. Isso tudo na tentativa de sensibilizar as pessoas de que o mercado é extremamente cruel, e que só há alguns tipos de iniciativas ambientalistas, porque é interessante para o mercado.
Esta temática terá continuação, numa próxima postagem de tema "consumo consciente".

Fonte: Página dos Malvados