A profissão de catadores de materiais recicláveis foi reconhecida no Brasil no ano de 2002 e mesmo apesar disso esta categoria ainda enfrenta inúmeros desafios para ter uma renda e uma jornada de trabalho estável.
Já são quase 10 anos de regulamentação desta profissão na qual seus profissionais ainda se encontram na marginalidade aos olhos da sociedade brasileira que os vê com desconfiança e descrédito.
No ano de 2012 o IBGE identificou que mais de 30.000 pessoas se reconhecem como profissionais da reciclagem cuja renda mensal varia de meio a um salário mínimo, o que mostra que a maior parte destes profissionais fazem parte das classes D e E.
Dona Maria de Nazaré, em entrevista, afirmou que está nesta profissão há 15 anos e diz que mesmo com a regulamentação da profissão as coisas melhoraram muito pouco nos últimos anos, ela diz que optou pela profissão por falta de outras oportunidades de trabalho.
Tudo começou quando foi expulsa de casa aos 21 anos por ser usuária de drogas, desde então passou a morar nas ruas da cidade e o trabalho como catadora de recicláveis possibilitava uma pequena renda para sustentar o vício e sobrevivia com doações de terceiros. Em um certo dia, após relutar bastante, aceitou a assistência de membros de uma igreja evangélica para receber um tratamento, abandonar o vício e sair das ruas.
A partir de então se tornou membro assíduo da igreja, pôde se recuperar do vício, intensificar seu trabalho como catadora de materiais recicláveis, alugar e montar uma casa para morar. Apesar de vida ter se estabilizado desde o auxílio da igreja ela comenta que a vida ainda é muito difícil, o que ganha como catadora mal dá pra pagar as contas e pouco sobra para investir em algo, como uma casa própria.
Assim fica evidente a dor e a dificuldade dos catadores de recicláveis que mesmo apesar da regulamentação da profissão ainda é um desafio sobreviver, o que faz dessa profissão ainda uma escolha daqueles que não tem muitas opções no mercado de trabalho.
